
Calcule o QT corrigido pela frequência cardíaca em segundos, com as cinco fórmulas mais usadas na prática — Bazett, Fridericia, Framingham, Hodges e Rautaharju — e receba a interpretação já ajustada por sexo. Ferramenta gratuita, sem cadastro.
Calculadora de Intervalo QT Corrigido (QTc)
Corrige o intervalo QT para a frequência cardíaca — Bazett, Fridericia, Framingham, Hodges e Rautaharju.
Comparativo das 5 fórmulas
| Fórmula | QTc (ms) | Interpretação |
|---|---|---|
| Preencha FC e QT para ver os resultados. | ||
Quando usar e por que corrigir o QT
O intervalo QT varia com a frequência cardíaca: encurta na taquicardia e alarga na bradicardia. O QT corrigido (QTc) normaliza o valor para uma FC de referência de 60 bpm, permitindo comparar medidas e estratificar risco.
Use a calculadora para: rastrear QT longo (risco de Torsades de Pointes e morte súbita), monitorar fármacos que prolongam o QT, avaliar distúrbios eletrolíticos e investigar QT curto.
Como medir o QT: do início do complexo QRS ao fim da onda T (retorno à linha de base). Prefira as derivações II e V5–V6. Meça em vários batimentos e use a média. Cuidado com a onda U — não a inclua na medida.
As fórmulas de correção
RR = 60 / FC (em segundos). QT e QTc na mesma unidade (ms).
Bazett (1920) — mais usada; superestima o QTc em FC alta e subestima em FC baixa.
Fridericia (1920) — correção cúbica; melhor desempenho em FC extremas.
Framingham / Sagie (1992) — correção linear.
Hodges (1983) — baseada diretamente na FC.
Rautaharju (2014) — correção proporcional à FC.
Em FC próxima de 60 bpm todas convergem. Fridericia e Framingham são preferidas para decisões clínicas em taquicardia/bradicardia, quando Bazett tende a distorcer.
Faixas de interpretação (por sexo)
| Categoria | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| QT curto | < 350 ms | < 350 ms |
| Normal | 350–430 ms | 350–450 ms |
| Limítrofe | 431–450 ms | 451–470 ms |
| Prolongado | > 450 ms | > 470 ms |
Independentemente do sexo, QTc > 500 ms indica risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes. QTc < 340–350 ms levanta a hipótese de síndrome do QT curto (confirmar a medida).
Limiares baseados na declaração científica AHA/ACCF/HRS (2009). Há variação entre fontes; use como apoio, não como corte absoluto.
Causas de QT prolongado / QT curto
QT prolongado — confira primeiro se não é onda U. Principais causas:
- Distúrbios eletrolíticos: hipocalemia, hipomagnesemia, hipocalcemia.
- Fármacos: antiarrítmicos (sotalol, amiodarona, quinidina), antipsicóticos, antidepressivos, macrolídeos, fluoroquinolonas, antieméticos (ondansetrona), metadona. Consulte listas em crediblemeds.org.
- Cardíacas: isquemia/IAM, miocardite, bradiarritmias.
- Centrais: hemorragia subaracnóidea, AVC, TCE.
- Congênitas: síndrome do QT longo.
QT curto: hipercalcemia, hipercalemia, acidose, uso de digital, febre e síndrome congênita do QT curto.
Condutas gerais
A conduta depende da etiologia. De forma geral:
- Confirme a medida e exclua a onda U; recalcule se necessário.
- Corrija distúrbios eletrolíticos (repor K⁺ e Mg²⁺).
- Revise e suspenda, quando possível, fármacos que prolongam o QT — evite associações.
- Em QTc muito prolongado ou sintomático, monitorização eletrocardiográfica e avaliação especializada.
- No QT curto confirmado, investigar síndrome do QT curto e risco arrítmico.
Decisões individuais exigem correlação clínica e julgamento médico.
Evidências
Por que corrigir o QT. O QT tem relação inversa com a FC. Sem correção, taquicardia "esconde" QT longo e bradicardia gera falso alarme. Todas as fórmulas buscam estimar o QT que o paciente teria a 60 bpm.
Qual fórmula é melhor? A evidência aponta que Bazett, embora a mais difundida, é a que pior se comporta nos extremos de FC — superestima o QTc na taquicardia e subestima na bradicardia, gerando falsos positivos e negativos. Estudos de grandes coortes (ex.: análise do Copenhagen ECG Study, ~ 10⁵ indivíduos) mostraram que Fridericia e Framingham foram superiores a Bazett na predição de mortalidade associada ao QTc, especialmente fora da faixa de 60–100 bpm.
Implicação prática. Em FC próxima de 60 bpm, a escolha da fórmula quase não altera o resultado. Já em FC alta ou baixa as fórmulas divergem de forma clinicamente relevante — por isso a calculadora exibe as cinco simultaneamente. Quando houver discordância entre elas, dê preferência a Fridericia/Framingham para a decisão clínica.
Valor prognóstico. QTc prolongado associa-se a maior risco de arritmias ventriculares (Torsades de Pointes) e morte súbita; o risco cresce de forma acentuada acima de 500 ms. O QTc encurtado (< 340–350 ms) é raro e levanta a hipótese de síndrome do QT curto, também associada a risco arrítmico.
Armadilhas de medida. A principal fonte de erro é incluir a onda U na medida do QT, superestimando o valor. QRS alargado (BRE, marca-passo) e ritmos irregulares (fibrilação atrial) também comprometem a acurácia — nesses casos, medir vários batimentos e interpretar com cautela.
Síntese de evidência para fins educacionais. Consulte as diretrizes vigentes e as publicações originais listadas em Referências para os dados primários.
Referências
- Bazett HC. An analysis of the time-relations of electrocardiograms. Heart. 1920.
- Fridericia LS. Die Systolendauer im Elektrokardiogramm bei normalen Menschen. Acta Med Scand. 1920.
- Sagie A, et al. (Framingham Heart Study). Am J Cardiol. 1992.
- Hodges M, et al. QT correction. J Electrocardiol. 1983.
- Rautaharju PM, et al. AHA/ACCF/HRS Recommendations for standardization of the ECG. J Am Coll Cardiol. 2009.
- Vandenberk B, et al. Which QT correction formulae to use for QT monitoring? (Copenhagen ECG Study). J Am Heart Assoc. 2016.
- Adaptado da calculadora QTc do MDCalc.
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O que é o QTc (intervalo QT corrigido)
O intervalo QT representa o tempo total de despolarização e repolarização dos ventrículos no eletrocardiograma. O problema é que ele muda conforme a frequência cardíaca: encurta quando o coração acelera e se alonga quando desacelera. Por isso, o valor bruto do QT, sozinho, engana.
O QTc (QT corrigido) resolve isso. Ele estima qual seria o intervalo QT daquele paciente se a frequência cardíaca fosse de 60 batimentos por minuto — um valor de referência que permite comparar exames, acompanhar a evolução e estratificar risco de arritmia com segurança.
Na prática, é o QTc — e não o QT bruto — que você deve usar para decidir se um traçado é normal, limítrofe ou preocupante.
Como calcular o QTc: as 5 fórmulas
Todas as fórmulas partem do intervalo RR (o tempo entre dois batimentos), calculado como RR = 60 ÷ frequência cardíaca, em segundos. A partir daí, cada autor propôs uma forma diferente de corrigir o QT:
Fórmula de Bazett (1920) — a mais conhecida e a mais usada no dia a dia. Divide o QT pela raiz quadrada do RR. Sua limitação: perde precisão nos extremos, superestimando o QTc na taquicardia e subestimando na bradicardia. QTc = QT ÷ √RR
Fórmula de Fridericia (1920) — usa a raiz cúbica do RR. Comporta-se melhor que Bazett em frequências altas e baixas, sendo uma das preferidas quando a decisão clínica é sensível. QTc = QT ÷ RR^(1/3)
Fórmula de Framingham (Sagie, 1992) — correção linear derivada do estudo de Framingham. QTc = QT + 154 × (1 − RR)
Fórmula de Hodges (1983) — corrige diretamente pela frequência cardíaca. QTc = QT + 1,75 × (FC − 60)
Fórmula de Rautaharju (2014) — correção proporcional à frequência. QTc = QT × (120 + FC) ÷ 180
Perto de 60 bpm, todas dão praticamente o mesmo número. É nos extremos de frequência que elas divergem — e é justamente aí que a escolha da fórmula importa. Por isso a calculadora acima mostra as cinco ao mesmo tempo: quando houver discordância, a literatura favorece Fridericia e Framingham para a decisão clínica.
Valores normais de QTc (tabela de referência)
Os limites de normalidade diferem entre homens e mulheres:
| Categoria | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| QT curto | < 350 ms | < 350 ms |
| Normal | 350–430 ms | 350–450 ms |
| Limítrofe | 431–450 ms | 451–470 ms |
| Prolongado | > 450 ms | > 470 ms |
Independentemente do sexo, um QTc acima de 500 ms indica risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes e exige atenção imediata. Já um QTc abaixo de 340–350 ms levanta a hipótese de síndrome do QT curto — sempre confirmando antes se a medida está correta.
Limiares baseados na declaração científica AHA/ACCF/HRS. Há variação entre fontes; use como apoio à decisão, não como corte absoluto.
Quando o QTc está prolongado: causas principais
Antes de tudo, confirme que você não incluiu a onda U na medida do QT — esse é o erro mais comum e gera falso QT longo. Excluída essa armadilha, as causas mais frequentes de QT prolongado são:
- Distúrbios eletrolíticos: hipocalemia, hipomagnesemia e hipocalcemia.
- Medicamentos: antiarrítmicos (sotalol, amiodarona, quinidina), antipsicóticos, antidepressivos, macrolídeos, fluoroquinolonas, antieméticos e metadona, entre outros.
- Causas cardíacas: isquemia, miocardite e bradiarritmias.
- Causas centrais: hemorragia subaracnóidea, AVC e traumatismo cranioencefálico.
- Causa congênita: síndrome do QT longo.
O QT curto, mais raro, associa-se a hipercalcemia, hipercalemia, acidose, uso de digital, febre e à síndrome congênita do QT curto.
Como medir o QT corretamente (evitando erros)
A qualidade do QTc depende da qualidade da medida do QT. Boas práticas:
- Meça do início do QRS ao fim da onda T (retorno à linha de base).
- Prefira as derivações DII e V5–V6.
- Não confunda a onda T com a onda U — a U vem depois e não entra na conta.
- Meça vários batimentos e use a média, sobretudo em ritmos irregulares como a fibrilação atrial.
- Cuidado com QRS alargado (bloqueios de ramo, marca-passo): a interpretação exige cautela.
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre QT e QTc? O QT é o valor bruto medido no ECG e varia com a frequência cardíaca. O QTc é esse valor corrigido para uma frequência de referência de 60 bpm, o que permite interpretar e comparar com segurança. Na decisão clínica, use sempre o QTc.
Qual fórmula de QTc é a melhor? Bazett é a mais usada, mas perde precisão em frequências muito altas ou muito baixas. Fridericia e Framingham têm melhor desempenho nesses extremos e são preferidas quando a decisão é sensível. Perto de 60 bpm, todas convergem.
Qual é o valor normal do QTc? De forma geral, até cerca de 450 ms em homens e 460–470 ms em mulheres. Acima disso é considerado limítrofe ou prolongado; abaixo de 350 ms, curto. Veja a tabela completa na página.
A partir de que valor o QTc é perigoso? Um QTc acima de 500 ms está associado a risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes, uma arritmia ventricular potencialmente fatal, e exige investigação e correção dos fatores precipitantes.
Como medir o QT no eletrocardiograma? Do início do complexo QRS ao fim da onda T, preferencialmente em DII e V5–V6, tomando o cuidado de não incluir a onda U. Meça vários batimentos e use a média.
A calculadora serve para fibrilação atrial? A correção do QT é menos confiável em ritmos irregulares. Nesses casos, meça vários batimentos, calcule a média e interprete com cautela, sempre correlacionando com o quadro clínico.
A calculadora substitui a avaliação médica? Não. É uma ferramenta educacional de apoio. O resultado deve ser sempre reavaliado pelo profissional e correlacionado com o contexto clínico do paciente.
Esta ferramenta e seu conteúdo foram desenvolvidos pelo Instituto Limiares, formado por cardiologistas à frente de serviços de referência em métodos gráficos e reabilitação cardiovascular no Brasil. Nosso compromisso é com qualidade, padronização e segurança — para quem faz a saúde.
Aviso: conteúdo educacional. Os cálculos devem ser reavaliados pelo profissional e não substituem o julgamento clínico nem o cuidado individualizado.
Ferramenta educacional. A Fórmula de 4 Variáveis é um apoio à decisão e não substitui o julgamento clínico, os ECGs seriados nem a avaliação individualizada do paciente. Em suspeita de síndrome coronária aguda, siga os protocolos institucionais.
