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Calculadora de QTc — Intervalo QT Corrigido

Instituto Limiares

Calcule o QT corrigido pela frequência cardíaca em segundos, com as cinco fórmulas mais usadas na prática — Bazett, Fridericia, Framingham, Hodges e Rautaharju — e receba a interpretação já ajustada por sexo. Ferramenta gratuita, sem cadastro.

Instituto Limiares
Instituto Limiares

Calculadora de Intervalo QT Corrigido (QTc)

Corrige o intervalo QT para a frequência cardíaca — Bazett, Fridericia, Framingham, Hodges e Rautaharju.

Frequência do traçado. Faixa aceita: 20–300 bpm.
Os limites de normalidade do QTc diferem entre sexos.
Digite o QT diretamente em milissegundos.
Padrão = 25 mm/s. A 25 mm/s, 1 quadradinho = 40 ms; a 50 mm/s = 20 ms.
QTc — Bazett
— ms
RR: — s · QT: — ms
Interpretação
Preencha os campos
⚠ QTc > 500 ms: risco marcadamente aumentado de Torsades de Pointes. Avaliar e corrigir fatores precipitantes.

Comparativo das 5 fórmulas

FórmulaQTc (ms)Interpretação
Preencha FC e QT para ver os resultados.
Quando usar e por que corrigir o QT

O intervalo QT varia com a frequência cardíaca: encurta na taquicardia e alarga na bradicardia. O QT corrigido (QTc) normaliza o valor para uma FC de referência de 60 bpm, permitindo comparar medidas e estratificar risco.

Use a calculadora para: rastrear QT longo (risco de Torsades de Pointes e morte súbita), monitorar fármacos que prolongam o QT, avaliar distúrbios eletrolíticos e investigar QT curto.

Como medir o QT: do início do complexo QRS ao fim da onda T (retorno à linha de base). Prefira as derivações II e V5–V6. Meça em vários batimentos e use a média. Cuidado com a onda U — não a inclua na medida.

As fórmulas de correção

RR = 60 / FC (em segundos). QT e QTc na mesma unidade (ms).

Bazett (1920) — mais usada; superestima o QTc em FC alta e subestima em FC baixa.

QTc = QT / √RR

Fridericia (1920) — correção cúbica; melhor desempenho em FC extremas.

QTc = QT / RR^(1/3)

Framingham / Sagie (1992) — correção linear.

QTc = QT + 154 × (1 − RR)

Hodges (1983) — baseada diretamente na FC.

QTc = QT + 1,75 × (FC − 60)

Rautaharju (2014) — correção proporcional à FC.

QTc = QT × (120 + FC) / 180

Em FC próxima de 60 bpm todas convergem. Fridericia e Framingham são preferidas para decisões clínicas em taquicardia/bradicardia, quando Bazett tende a distorcer.

Faixas de interpretação (por sexo)
CategoriaHomensMulheres
QT curto< 350 ms< 350 ms
Normal350–430 ms350–450 ms
Limítrofe431–450 ms451–470 ms
Prolongado> 450 ms> 470 ms

Independentemente do sexo, QTc > 500 ms indica risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes. QTc < 340–350 ms levanta a hipótese de síndrome do QT curto (confirmar a medida).

Limiares baseados na declaração científica AHA/ACCF/HRS (2009). Há variação entre fontes; use como apoio, não como corte absoluto.

Causas de QT prolongado / QT curto

QT prolongado — confira primeiro se não é onda U. Principais causas:

  • Distúrbios eletrolíticos: hipocalemia, hipomagnesemia, hipocalcemia.
  • Fármacos: antiarrítmicos (sotalol, amiodarona, quinidina), antipsicóticos, antidepressivos, macrolídeos, fluoroquinolonas, antieméticos (ondansetrona), metadona. Consulte listas em crediblemeds.org.
  • Cardíacas: isquemia/IAM, miocardite, bradiarritmias.
  • Centrais: hemorragia subaracnóidea, AVC, TCE.
  • Congênitas: síndrome do QT longo.

QT curto: hipercalcemia, hipercalemia, acidose, uso de digital, febre e síndrome congênita do QT curto.

Condutas gerais

A conduta depende da etiologia. De forma geral:

  • Confirme a medida e exclua a onda U; recalcule se necessário.
  • Corrija distúrbios eletrolíticos (repor K⁺ e Mg²⁺).
  • Revise e suspenda, quando possível, fármacos que prolongam o QT — evite associações.
  • Em QTc muito prolongado ou sintomático, monitorização eletrocardiográfica e avaliação especializada.
  • No QT curto confirmado, investigar síndrome do QT curto e risco arrítmico.

Decisões individuais exigem correlação clínica e julgamento médico.

Evidências

Por que corrigir o QT. O QT tem relação inversa com a FC. Sem correção, taquicardia "esconde" QT longo e bradicardia gera falso alarme. Todas as fórmulas buscam estimar o QT que o paciente teria a 60 bpm.

Qual fórmula é melhor? A evidência aponta que Bazett, embora a mais difundida, é a que pior se comporta nos extremos de FC — superestima o QTc na taquicardia e subestima na bradicardia, gerando falsos positivos e negativos. Estudos de grandes coortes (ex.: análise do Copenhagen ECG Study, ~ 10⁵ indivíduos) mostraram que Fridericia e Framingham foram superiores a Bazett na predição de mortalidade associada ao QTc, especialmente fora da faixa de 60–100 bpm.

Implicação prática. Em FC próxima de 60 bpm, a escolha da fórmula quase não altera o resultado. Já em FC alta ou baixa as fórmulas divergem de forma clinicamente relevante — por isso a calculadora exibe as cinco simultaneamente. Quando houver discordância entre elas, dê preferência a Fridericia/Framingham para a decisão clínica.

Valor prognóstico. QTc prolongado associa-se a maior risco de arritmias ventriculares (Torsades de Pointes) e morte súbita; o risco cresce de forma acentuada acima de 500 ms. O QTc encurtado (< 340–350 ms) é raro e levanta a hipótese de síndrome do QT curto, também associada a risco arrítmico.

Armadilhas de medida. A principal fonte de erro é incluir a onda U na medida do QT, superestimando o valor. QRS alargado (BRE, marca-passo) e ritmos irregulares (fibrilação atrial) também comprometem a acurácia — nesses casos, medir vários batimentos e interpretar com cautela.

Síntese de evidência para fins educacionais. Consulte as diretrizes vigentes e as publicações originais listadas em Referências para os dados primários.

Referências
  • Bazett HC. An analysis of the time-relations of electrocardiograms. Heart. 1920.
  • Fridericia LS. Die Systolendauer im Elektrokardiogramm bei normalen Menschen. Acta Med Scand. 1920.
  • Sagie A, et al. (Framingham Heart Study). Am J Cardiol. 1992.
  • Hodges M, et al. QT correction. J Electrocardiol. 1983.
  • Rautaharju PM, et al. AHA/ACCF/HRS Recommendations for standardization of the ECG. J Am Coll Cardiol. 2009.
  • Vandenberk B, et al. Which QT correction formulae to use for QT monitoring? (Copenhagen ECG Study). J Am Heart Assoc. 2016.
  • Adaptado da calculadora QTc do MDCalc.
Aviso: ferramenta educacional do Instituto Limiares. Os cálculos devem ser reavaliados pelo profissional e não substituem o julgamento clínico nem o cuidado individualizado. © Instituto Limiares — para quem faz a saúde.

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O que é o QTc (intervalo QT corrigido)

O intervalo QT representa o tempo total de despolarização e repolarização dos ventrículos no eletrocardiograma. O problema é que ele muda conforme a frequência cardíaca: encurta quando o coração acelera e se alonga quando desacelera. Por isso, o valor bruto do QT, sozinho, engana.

O QTc (QT corrigido) resolve isso. Ele estima qual seria o intervalo QT daquele paciente se a frequência cardíaca fosse de 60 batimentos por minuto — um valor de referência que permite comparar exames, acompanhar a evolução e estratificar risco de arritmia com segurança.

Na prática, é o QTc — e não o QT bruto — que você deve usar para decidir se um traçado é normal, limítrofe ou preocupante.

Como calcular o QTc: as 5 fórmulas

Todas as fórmulas partem do intervalo RR (o tempo entre dois batimentos), calculado como RR = 60 ÷ frequência cardíaca, em segundos. A partir daí, cada autor propôs uma forma diferente de corrigir o QT:

Fórmula de Bazett (1920) — a mais conhecida e a mais usada no dia a dia. Divide o QT pela raiz quadrada do RR. Sua limitação: perde precisão nos extremos, superestimando o QTc na taquicardia e subestimando na bradicardia. QTc = QT ÷ √RR

Fórmula de Fridericia (1920) — usa a raiz cúbica do RR. Comporta-se melhor que Bazett em frequências altas e baixas, sendo uma das preferidas quando a decisão clínica é sensível. QTc = QT ÷ RR^(1/3)

Fórmula de Framingham (Sagie, 1992) — correção linear derivada do estudo de Framingham. QTc = QT + 154 × (1 − RR)

Fórmula de Hodges (1983) — corrige diretamente pela frequência cardíaca. QTc = QT + 1,75 × (FC − 60)

Fórmula de Rautaharju (2014) — correção proporcional à frequência. QTc = QT × (120 + FC) ÷ 180

Perto de 60 bpm, todas dão praticamente o mesmo número. É nos extremos de frequência que elas divergem — e é justamente aí que a escolha da fórmula importa. Por isso a calculadora acima mostra as cinco ao mesmo tempo: quando houver discordância, a literatura favorece Fridericia e Framingham para a decisão clínica.

Valores normais de QTc (tabela de referência)

Os limites de normalidade diferem entre homens e mulheres:

Categoria Homens Mulheres
QT curto < 350 ms < 350 ms
Normal 350–430 ms 350–450 ms
Limítrofe 431–450 ms 451–470 ms
Prolongado > 450 ms > 470 ms

Independentemente do sexo, um QTc acima de 500 ms indica risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes e exige atenção imediata. Já um QTc abaixo de 340–350 ms levanta a hipótese de síndrome do QT curto — sempre confirmando antes se a medida está correta.

Limiares baseados na declaração científica AHA/ACCF/HRS. Há variação entre fontes; use como apoio à decisão, não como corte absoluto.

Quando o QTc está prolongado: causas principais

Antes de tudo, confirme que você não incluiu a onda U na medida do QT — esse é o erro mais comum e gera falso QT longo. Excluída essa armadilha, as causas mais frequentes de QT prolongado são:

  • Distúrbios eletrolíticos: hipocalemia, hipomagnesemia e hipocalcemia.
  • Medicamentos: antiarrítmicos (sotalol, amiodarona, quinidina), antipsicóticos, antidepressivos, macrolídeos, fluoroquinolonas, antieméticos e metadona, entre outros.
  • Causas cardíacas: isquemia, miocardite e bradiarritmias.
  • Causas centrais: hemorragia subaracnóidea, AVC e traumatismo cranioencefálico.
  • Causa congênita: síndrome do QT longo.

O QT curto, mais raro, associa-se a hipercalcemia, hipercalemia, acidose, uso de digital, febre e à síndrome congênita do QT curto.

Como medir o QT corretamente (evitando erros)

A qualidade do QTc depende da qualidade da medida do QT. Boas práticas:

  • Meça do início do QRS ao fim da onda T (retorno à linha de base).
  • Prefira as derivações DII e V5–V6.
  • Não confunda a onda T com a onda U — a U vem depois e não entra na conta.
  • Meça vários batimentos e use a média, sobretudo em ritmos irregulares como a fibrilação atrial.
  • Cuidado com QRS alargado (bloqueios de ramo, marca-passo): a interpretação exige cautela.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre QT e QTc? O QT é o valor bruto medido no ECG e varia com a frequência cardíaca. O QTc é esse valor corrigido para uma frequência de referência de 60 bpm, o que permite interpretar e comparar com segurança. Na decisão clínica, use sempre o QTc.

Qual fórmula de QTc é a melhor? Bazett é a mais usada, mas perde precisão em frequências muito altas ou muito baixas. Fridericia e Framingham têm melhor desempenho nesses extremos e são preferidas quando a decisão é sensível. Perto de 60 bpm, todas convergem.

Qual é o valor normal do QTc? De forma geral, até cerca de 450 ms em homens e 460–470 ms em mulheres. Acima disso é considerado limítrofe ou prolongado; abaixo de 350 ms, curto. Veja a tabela completa na página.

A partir de que valor o QTc é perigoso? Um QTc acima de 500 ms está associado a risco marcadamente elevado de Torsades de Pointes, uma arritmia ventricular potencialmente fatal, e exige investigação e correção dos fatores precipitantes.

Como medir o QT no eletrocardiograma? Do início do complexo QRS ao fim da onda T, preferencialmente em DII e V5–V6, tomando o cuidado de não incluir a onda U. Meça vários batimentos e use a média.

A calculadora serve para fibrilação atrial? A correção do QT é menos confiável em ritmos irregulares. Nesses casos, meça vários batimentos, calcule a média e interprete com cautela, sempre correlacionando com o quadro clínico.

A calculadora substitui a avaliação médica? Não. É uma ferramenta educacional de apoio. O resultado deve ser sempre reavaliado pelo profissional e correlacionado com o contexto clínico do paciente.

Esta ferramenta e seu conteúdo foram desenvolvidos pelo Instituto Limiares, formado por cardiologistas à frente de serviços de referência em métodos gráficos e reabilitação cardiovascular no Brasil. Nosso compromisso é com qualidade, padronização e segurança — para quem faz a saúde.

Aviso: conteúdo educacional. Os cálculos devem ser reavaliados pelo profissional e não substituem o julgamento clínico nem o cuidado individualizado.

Ferramenta educacional. A Fórmula de 4 Variáveis é um apoio à decisão e não substitui o julgamento clínico, os ECGs seriados nem a avaliação individualizada do paciente. Em suspeita de síndrome coronária aguda, siga os protocolos institucionais.

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